Um tempinho para uma crise existencial: Estou tentando entender quem sou eu.
Ontem eu ia em uma festa, mas decidi ficar em casa ensinando física pra Lele.
Uma vez cheguei em casa muito feliz pois tinha ensinado química orgânica para o Dardo.
Em véspera de provas, prefiro perder meu tempo ensinando às outras pessoas no msn.
Quando alguém, em uma conversa peculiar do dia-a-dia, toca em algum assunto que remete às ciências sociais ou da natureza, extendo a conversa com fascínio, sendo na grande maioria das vezes inconveniente. Pareço o Adalberto falando de biologia.
Desenvolvi um método perfeito de ensino que funciona para qualquer pessoa de qualquer classe social ou nível intelectual, de forma que haja um imenso abismo entre os estudantes dessa minha escola fictícia e os das escolas ordinárias.
Por que é que eu tenho esse imensurável encantamento pela ciência e pelo ensino da mesma?
Aí chegam e me perguntam: "O que você vai prestar na fuvest?"
Eu... Eu não sei o que eu vou prestar na fuvest! Quero é prestar tudo. Todas as ciências me encantam. Há uma lógica perfeita e simétrica por trás de cada uma delas.
Até ano passado, cria que era o único a pensar dessa forma. Afinal, todo mundo quer esquecer a escola nos fins de semanas. Só eu fico bolando métodos de ensino de diversos assuntos, tentando entender a mágica das ciências, criando teorias sociais... Sem pegar em um livro.
Um dia encontrei outros tipos de pessoas, e vi que elas eram diferentes dessas pessoas que eu convivo todos os dias. Cada uma delas tinha uma personalidade bem destacada, e a gente ficava discutindo assuntos filosóficos até altas horas da noite. Foram bons tempos na Escola de Física.
Aí, voltei à rotina. Ficava cada dia mais estressado com as pessoas que se matavam pra estudar para as provas. Precisava que elas entendessem a mágica das ciências.
Um dia, descobri as maneiras de se aprender. Descobri que aprendia sentindo. É por isso que a informação era mágica para mim. É por isso que eu aprendi matemática e geografia do dia pra noite. Tudo que eu precisava era "sentir" a matéria, e ela viria para mim.
Aperfeiçoei então o modelo da escola perfeita.
Então, fui aperfeiçoando e amando cada vez mais ensinar aos outros...
Fui me revoltando cada vez mais com o sistema atual de ensino e com meus professores...
Acho que com relação ao ensino, minha única felicidade foi descobrir que minha melhor amiga também aprendia sentindo.
A gente tem que mudar as coisas... Tá tudo errado!
Estamos formando máquinas de copiar.
Quero pessoas que saibam pensar! Que não façam o que os outros mandam. Que tenham atitudes próprias e o mais incrível: Uma personalidade própria.
Personalidade é coisa rara hoje em dia...
Ótimo, agora estou aqui, me descobrindo como um anarquista da educação.
Que não quer, contudo, ser um professor porque sabe que não vai conseguir mudar nada.
Mudar uma ou duas pessoas, talvez. Quero mais!
O pior é que aí eu começo a ficar que nem a Lari, né? Querendo paz no mundo, fim da pobreza, etc.
Acho que é por isso que minhas amizades são em forma de logarítmo:
Enquanto eu não ligo pra pessoa, a pessoa me ama. Quando eu começo a ligar, ela passa a não ligar pra mim. Acontece direto.
Sim, eu sou chato, idiota e noob. Me apego demais aos outros. Tenho que me mascarar pra não ser odiado, com excessão das minhas irmãzinhas e alguns amigos. Mas esse sou eu, fazer o que.
Mas... Se essa pessoa inútil sou eu... De onde vim e por que estou aqui?
São mais duas perguntas sem resposta.
The pansies raided my being.